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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Funeral blue


Agora há pouco
quase vomitei
tudo
o que comi no jantar

É que entrei com tanta pressa
na noite
demasiado fria
descendo escadas
rumo à garagem.

Havia alguma coisa perdida
no porta-luvas.

E agora estou triste
como quem acaba de voltar de um funeral.

E implorei  aos ácidos
que estranhamente dissolviam meu coração
que não o maltratassem tanto;
que, em vez disso
roessem a massa azeda
que  subia
do estômago à garganta
como um elevador superlotado de obesos

Agora estou triste
como quem acaba de voltar de um funeral.

Não sei por que
às vezes caio de tão alto
se já conheço a dor
que é ter ossos partidos

  A noite
 (na qual entrei tão apressadamente)
 era vermelha
como se alguém houvesse esmagado morangos nas nuvens.

E eu estou triste
como quem acaba de voltar de um funeral

E depois de ter tentado trancar
a escuridão do lado de fora
e de nada ter encontrado no porta-luvas
um vento velho veio entrando
pelas fendas das janelas e fraturas
povoando toda a casa iluminada.

Chovia.

E eu estou triste
como quem acaba de voltar de um funeral.

Não sei por que
às vezes caio de tão alto,
eu que já conheço, tanto,
a dor de ter ossos partidos.

Ainda chove e finalmente os ácidos
ouviram meus clamores.
Os obesos se retiram um a um
de meu estômago, que aos poucos, se acalma.

Mas eu estou triste
como quem acaba de voltar de um funeral.

Não sei por que.
Ossos partidos.
Às vezes caio.
Eu que já conheço tanto!
A dor.

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