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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Promessa

É só mais uma manhã de Primaveras decapitadas
-Eu pensava.
Um a um, os matizes haviam se apagado
na superfície insólita de um filme antigo.

( Meu amor, o Passado é preto-e-branco, acaso percebeste?
A absurda farda do nazista;
O primeiro automóvel;
As olheiras de Proust;
O vestido esvoaçante da atriz...)

É só mais uma manhã de Primaveras decapitadas
-Eu pensava.
E já me apaziguava a promessa da lenta morte das cores.

Mas eu não sabia que Primaveras
tinham veias e sangue, como as mulheres.

E eu preferia, eu juro,
a tranquilidade eterna do Cinza
a essas tristes poças vermelhas
no meu Jardim devastado.


                             Poema publicado anteriormente em calidapoesia.blogspot.com.br

Um comentário:

  1. Muito bacana. Essas imagens se interpõem como as folhas e flores da primavera que esvoaçam sob um vento muito forte. Bjo

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